Hora de Verão: British Columbia Adota Mudança Permanente e Impactos na Saúde

Views around Vancouver as seen from the water's edge and around Stanley Park on Sept. 14, 2025 in...

Se você quer conhecer alguns canadenses espertos, a dica é visitar Kootenay, uma região montanhosa no sudeste da Colúmbia Britânica, mais especificamente a cidade de Creston. No dia 8 de março, a maior parte da América do Norte e da Europa, juntamente com alguns países do Caribe e da América Central, irá adiantar seus relógios em uma hora para iniciar o horário de verão (Daylight Saving Time – DST). Mas, como reporta a Canadian Broadcasting Company, diferentemente desses outros lugares, a Colúmbia Britânica fará a mudança e não voltará ao horário padrão no próximo outono.

Mudanças Permanentes na Colúmbia Britânica

O Premier da província, David Eby, anunciou em 1º de março: "Estamos cansados de esperar. A Colúmbia Britânica vai mudar nossos relógios apenas mais uma vez — e então nunca mais". Contudo, a pequena cidade de Creston decidiu não seguir essa mudança, optando por manter a tradição local de permanecer no horário padrão durante todo o ano, evitando assim as complicações da alteração semestral dos relógios.

Os Efeitos Negativos do Horário de Verão

O horário de verão é frequentemente visto como um fardo, onde os relógios são ajustados para se alinhar com as decisões legislativas, desconsiderando os ciclos naturais do sol e do nosso corpo. É uma época em que acordamos no escuro, antes do amanhecer, e ainda temos que passar por longas noites com o sol ainda visível, como um convidado que não vai embora. Estudos mostram que o DST está associado ao aumento de episódios de depressão, maior incidência de AVC, mais acidentes de trabalho e de trânsito, além de um aumento nos casos de obesidade.

A Opinião dos Especialistas

A Dra. Karin Johnson, professora de neurologia na Universidade de Massachusetts, explica: "Saímos do horário padrão, que está mais alinhado com o sol, para o horário de verão, e vemos muitas coisas negativas que acontecem depois". A insatisfação com o DST é refletida em pesquisas; apesar da popularidade do horário de verão na Colúmbia Britânica, onde 93% dos entrevistados são a favor, a situação é diferente em outras regiões.

A Perspectiva Global sobre o Horário de Verão

Segundo o Pew Research Center, apenas cerca de um terço dos países do mundo observa o DST, a maioria deles na América do Norte e na Europa. Uma pesquisa de 2018 da Comissão Europeia revelou que 84% da população europeia desaprova o DST. Nos Estados Unidos, uma pesquisa da Gallup de 2025 indicou que 54% dos entrevistados apoiam a eliminação do DST em favor do horário padrão durante todo o ano.

Riscos à Saúde e Necessidade de Mudança

A Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) apoia os opositores do DST. Em um artigo de 2020 na Journal of Clinical Sleep Medicine, a AASM afirmou que "uma abundância de evidências acumuladas indica que a transição aguda do horário padrão para o horário de verão acarreta riscos significativos à saúde pública e segurança". O estudo de setembro de 2025 na Proceedings of the National Academy of Sciences sugere que um horário padrão permanente poderia reduzir a prevalência de obesidade nos EUA em 0,78%, ou seja, cerca de 2,6 milhões de casos.

O Impacto no Ritmo Circadiano

Alterar os horários afeta diretamente nossos ritmos circadianos, que são cruciais para várias funções corporais. Johnson afirma: "Estamos mudando os relógios, mas não estamos alterando os sinais aos quais nossos corpos se alinham". Esses sinais são determinados pelo nascer e pôr do sol, e é quando estamos no horário padrão que o amanhecer se alinha melhor com o nosso despertar e o crepúsculo com a hora de dormir.

Conclusão

As mudanças do horário de verão não apenas afetam nosso dia a dia, mas têm implicações profundas para nossa saúde física e mental. A decisão da Colúmbia Britânica de abolir a volta ao horário padrão pode ser um passo importante para o bem-estar da população, refletindo uma mudança de paradigma que muitos outros lugares poderiam considerar.

Fonte: https://time.com

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