Um estudo recente da OutSystems, intitulado “The State of AI Development 2026”, revela que a Inteligência Artificial (IA) já atingiu a fase inicial de produção em muitas empresas, principalmente dentro das funções de TI. No entanto, a pesquisa, baseada nas respostas de 1.879 líderes de TI, alerta para um risco crescente: a adoção da IA pode estar avançando mais rapidamente do que as estruturas de governança e integração. Este desequilíbrio cria uma lacuna entre o potencial que os líderes de TI veem nos agentes de IA e a capacidade das organizações de controlá-los de forma segura e eficaz.
Os autores do relatório enfatizam a necessidade crítica de as empresas definirem controles, ou “guardrails”, para os sistemas de IA, além de integrarem as novas tecnologias de IA às plataformas já existentes na organização. Isso é fundamental para garantir uma implementação segura e bem-sucedida, minimizando riscos e maximizando os benefícios.
Avanço da IA nas Empresas: O Que o Estudo Revelou
A OutSystems aponta que 97% dos entrevistados estão explorando alguma forma de estratégia com agentes de IA, com 49% deles descrevendo suas capacidades atuais como “avançadas” ou “especialistas”. Um dado impressionante é que quase metade dos pesquisados afirma que mais de 50% dos projetos de IA com agentes já transitaram da fase piloto para a produção. Empresas indianas se destacam nesse cenário, com 50% delas reportando um sucesso de 51% a 75% em seus projetos de IA.
Embora a “redução de custos ou ganhos de eficiência” seja a expectativa mais citada para os efeitos da IA, apenas 22% das empresas acharam suas implementações mais eficazes nesse quesito. Curiosamente, a área que mais gerou ganhos efetivos foi o equipamento de desenvolvedores de software com ferramentas de IA assistida por IA generativa, mostrando um foco inicial no aprimoramento interno das equipes de tecnologia. Para entender mais sobre como a IA generativa está revolucionando o setor, confira nosso artigo sobre tendências em IA generativa.
Adoção Desigual e o Desafio da Governança
Geografia e Setores na Vanguarda
Os dados geográficos e setoriais do relatório indicam uma distribuição desigual na transição para fluxos de trabalho com agentes de IA. A Índia se sobressai como o mercado com a maior parcela de usuários que se consideram “especialistas”. Em contrapartida, muitas organizações na Austrália, Brasil, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos ainda se identificam como usuários em estágio intermediário. França e Alemanha são os países mais céticos em relação à adoção da IA, com a Alemanha registrando a maior proporção de líderes que não utilizam IA em nenhuma forma.
Os setores de serviços financeiros e tecnologia demonstram o maior movimento do piloto para a produção, com muitas implementações em funções essenciais de negócios. Esses setores são vistos como tendo uma linha de visão mais clara da automação para retornos mensuráveis em termos de receita. Uma inferência prática do relatório é que setores mais lentos deveriam replicar os fluxos de trabalho de implementação empregados pela indústria de fintech: começar com fluxos de trabalho estreitos e de alto volume, onde o desempenho pode ser medido e as falhas contidas, com um foco inicial na função de TI.
Sistemas Legados e Confiança na IA
A pesquisa da OutSystems também aborda a questão dos sistemas legados. 48% dos entrevistados consideram a integração com sistemas legados a habilidade mais importante para expandir a IA com agentes, e 38% apontam os sistemas legados como a principal razão para projetos estagnarem entre o piloto e a produção. Apesar dessas preocupações, o relatório sugere que as organizações que consideram grandes programas de limpeza de dados (muitas vezes defendidos por fornecedores de IA como condição para o sucesso) podem precisar repensar sua estratégia. Os autores afirmam que agentes podem ser construídos para trabalhar bem em ambientes de dados complexos, desde que a governança e a integração sejam fortalecidas simultaneamente à implementação da IA. A confiança nos agentes de IA é geralmente “moderada” em todos os setores, girando em torno de 50%.
Impacto Interno e Retorno do Investimento
Os retornos financeiros da IA se manifestam principalmente nas próprias funções de TI. Os casos de uso mais explorados são operações de TI (55%) e análise de dados (52%), seguidos por automação de fluxo de trabalho (36%) e experiência do cliente (33%). Em termos de retorno sobre investimento (ROI) realizado, o desenvolvimento e a produtividade de TI lideram com uma margem considerável, atingindo 40%, à frente da eficiência operacional (22%). Essa distribuição sugere que o primeiro valor duradouro dos agentes de IA é interno, nas mesas dos desenvolvedores, em vez de em ambientes voltados para o cliente. Implementações para o cliente podem fazer sentido, mas exigem maior confiança no desempenho do sistema, controles mais robustos, melhor orquestração e a capacidade de criar mecanismos de supervisão à prova de falhas.
Conclusão: A Urgência da Governança Centralizada
O estudo da OutSystems sublinha uma realidade inegável: a Inteligência Artificial já é uma parte ativa do ciclo de desenvolvimento de software em muitas empresas. No entanto, o sucesso a longo prazo e a sustentabilidade dessa adoção dependem criticamente da implementação de uma governança robusta e da integração estratégica com os sistemas existentes. Sem uma gestão centralizada e controles adequados, as organizações correm o risco de enfrentar desafios significativos, limitando o verdadeiro potencial transformador da IA. A prioridade agora não é apenas implementar a IA, mas fazê-lo de forma segura, controlada e estratégica. Para mais insights sobre como gerenciar riscos em projetos de IA, veja nosso guia sobre ética e regulamentação em IA.
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